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Setor de transporte e logística em 2020

Quando se fala em estratégias de mercado, é certo que a grande maioria dos empresários logo pensará no futuro de suas empresas. Afinal, qualquer planejamento ou investimento visa alcançar alguma meta, principalmente a de se consolidar frente à concorrência e aumentar sua lucratividade.

E isso é um fato em qualquer segmento, apesar de cada área possuir suas particularidades e, portanto, exigir dos que estão à frente de um negócio o amplo conhecimento do que acontece externamente à empresa, bem como uma gestão sólida, capaz de adaptar processos às adversidades próprias do setor.

E quando o assunto é transporte rodoviário e logística, não é diferente. Pelo contrário: no Brasil, os desafios de gestão nesta área são imensos. Só para ilustrar, veja alguns números que fornecem um panorama do transporte de cargas atualmente no país:

Com dados tão expressivos, é essencial estar atualizado sobre as mudanças que podem impactar o setor de transporte e logística em 2020.

Para ajudá-lo nesta missão, separamos os principais acontecimentos que devem ocorrer este ano e quais são as perspectivas para o futuro do setor no país.

Boa leitura!

De olho na legislação!

O ano mal começou, mas já vem cheio de transformações que todo dono de transportadora deve saber. Quanto à legislação brasileira, uma alteração muito importante começa este ano. Trata-se da emissão de CIOT (código identificador de operação de transporte).

Isso porque, a partir de agora, a emissão de CIOT é para todos. Ou seja: o código será obrigatório à toda operação de transporte que envolva a contratação de um terceiro.

Dessa forma, embarcadoras ou transportadoras que contratam outras transportadoras ou caminhoneiros autônomos para suas operações, deverão obrigatoriamente emitir o CIOT.

Além disso, o código deverá constar em todo contrato de prestação de serviço, bem como em cada CTe. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 5 mil, podendo aumentar por reincidência da ocorrência.

Mudanças na tabela de frete

Outro ponto importante para o setor de transporte e logística em 2020 quanto à legislação brasileira é o tabelamento de frete. No dia 19 de fevereiro, o STF vai julgar as ADIs 5.959, 5.956, 5.964, que questionam o tabelamento do frete no transporte de cargas.

Isso significa que o Supremo Tribunal Federal irá julgar a validade da tabela de frete mínimo, de acordo com as três Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que contestam a validade dessa Política Nacional.

Ainda assim, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem até o dia 20 de janeiro para publicar a nova tabela com os pisos mínimos do frete rodoviário no país, após consulta pública finalizada em 8 de dezembro de 2019.

A Esalq-Log, contratada pela ANTT para revisar a metodologia de definição da tabela e atualizar seus valores mínimos, estuda incluir uma nova categoria de carga na Tabela de Frete (silo pressurizado), bem como uma remuneração especial para transporte de alto desempenho (carregamento e descarregamento em até três horas), por exemplo.

Além disso, ela também avalia considerar gastos com os motoristas, tais como pernoite e refeições, entre os custos fixos da transportadora.

Infraestrutura de transporte

Mais do que nunca, as transportadoras terão que ter na ponta do lápis todos os custos da operação, uma vez que qualquer erro no cálculo pode causar grandes prejuízos.

Isso porque 59% dos trechos rodoviários do país apresentam algum tipo de problema, de acordo com estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Sest/Senat. Estão entre as condições mais graves: queda de barreira, ponte caída, erosão na pista e buracos.

Esse fator não apenas representa um risco à segurança de motoristas, como também acarreta em gastos extras para os profissionais do setor. De acordo com o estudo, a deficiência nas estradas eleva em 28,5% o custo operacional de transporte rodoviário.

Ademais, nos casos mais críticos de pavimento, por exemplo, o aumento nas despesas pode chegar a 91,5%. Além do desgaste de pneus e freios, os gastos extras também envolvem manutenção de veículos, consumo de combustível e lubrificantes.

Mesmo com a alta necessidade de intervenção, em 2020 o investimento em infraestrutura de transporte será o menor dos últimos 16 anos no Brasil. Ou seja, esse quadro não deve ser revertido nos próximos 12 meses.

Por isso é tão importante planejar o aumento da produtividade da transportadora, a fim de prever falhas na operação e manter ou até ampliar a sua margem de lucro em transporte e logística em 2020. 

Nesse sentido, uma das tendências para otimizar operações de transporte rodoviário é apostar em inovação e tecnologia específica no setor de transporte rodoviário.

Aquisições e investimentos

Em meio a tantos desafios em transporte e logística para 2020, há um deles que traz bons presságios. Apesar do recente período de recessão econômica que tanto afetou o segmento, as transportadoras estão voltando a investir fortemente no aumento das operações, com aquisições de novos veículos.

Isso porque, de janeiro a novembro de 2019, a venda de caminhões novos no Brasil cresceu 35,7%. De acordo com a Fenabrave, foram vendidos mais de 93 mil veículos, cerca de 26% a mais do que foi comercializado no mesmo período do ano anterior.

Assim, estima-se que o número de veículos adquiridos continue a crescer. Além disso, a expectativa para 2020 é ampliar as operações, isto é, colocar os veículos adquiridos para rodar, a fim de aumentar a receita.

Dessa maneira, a ampliação da frota vem junto da necessidade de planejar o aumento da operação, não apenas na prospecção de clientes, bem como na gestão da manutenção desses veículos, com a finalidade de manter o patrimônio recém-adquirido e expandir a vida útil desses caminhões.

Ademais, é preciso se programar para operações maiores, o que tecnologias de gestão integrada podem proporcionar, lançando mão de conceitos como automação e uso de robôs para tornar processos mais ágeis e produtivos, dispensando intervenção humana, por exemplo.